Todos os dias o homem levantava-se às 3 horas da manhã para ir à pesca, e regressava ás 7 da manhã, hora em que os habitantes da pequena aldeia se levantavam para os seus afazeres diários.
Naquela aldeia as pessoas não tinham grandes alternativas em relação ao modo que escolhiam para viver. Ou se dedicavam à pesca, ou se dedicavam à agricultura.
A aldeia tinha cerca de 60 habitantes. E todos eles se conheciam pelo nome.
O Christian, filho do Lewis, pescador aqui relatado, aguardava ansiosamente a chegada do pai da pescaria porque adorava espalhar o peixe capturado em cima de uma bancada de madeira antes de começarem a vende-lo.
A rutina era feita diariamente de forma automática sem que o pai interferisse nas tarefas do filho, que sabia muito bem aquilo que tinha que executar mal avistasse o “bote” do pai a dirigir-se para terra.
O entusiasmo com que Christian recolhia o peixe capturado do barco, e o colocava cuidadosamente em cima da bancada para ser vendido, eram notórios.
Seus olhos brilhavam e o seu rosto transmitia uma boa disposição tipica de uma criança de 5 anos e ao mesmo tempo digna de ser contemplada. Era como se o tempo não avançasse no momento que o menino fazia aquilo que tanto gostava.
Mas não só peixe trazia o Lewis cada vez que ia ao mar. Outros objectos eram cuidadosamente retirados do barco e colocados juntamente com o peixe em cima da bancada.
Algas, grandes conchas, pedaços e troncos com formas engraçadas, e outros objectos que vinham nas redes de pesca e que o seu pai fazia o favor de os trazer para terra para que juntamente com o peixe fossem comercializados.
O Christian, como fazia as suas tarefas no modo automático, nem questionava o seu pai do porquê as coisas serem feitas dessa maneira.
Até que um dia reparou que o pai nunca cobrava dinheiro ás pessoas que mostravam interesse pelos outros objectos além do peixe, apenas dizia:
- O preço é aquilo que você quiser pagar.
Um dia, depois de reparar que o pai tinha trazido menos peixe do que era habitual, e muitos mais objectos do que nas outras vezes, resolveu questioná-lo:
- Pai, o nosso negócio é o peixe, certo ?
- Certo filho. ( respondeu tranquilamente o pai )
- Então porque é que continuas a trazer outros objectos para além do peixe que é a nossa fonte de rendimento ? ( retorquiu o filho visivelmente curioso )
- Porque algumas pessoas que nos compram o peixe vão precisar desses objectos que eu trago. ( responde Lewis com serenidade )
- E porque que é não cobras !? Ao menos ganhávamos mais algum dinheirinho !! ( pergunta sem pestanejar Christian )
- Porque o nosso negócio é o peixe. ( concluiu o seu pai com um sorriso nos lábios )
Cristian, não muito conformado com a resposta e sem perceber muito bem aquela situação, calou-se e continuou a ajudar o pai nas suas tarefas, cada vez com mais atenção ás transações que eram feitas nomeadamente quando as pessoas mostravam necessidade nalgum daqueles objectos que não o peixe.
Os dias foram passando, e a rutina era feita de forma instintiva por estes seres humanos que demonstravam uma enorme cumplicidade na sua relação de pai e filho.
Certo dia, Lewis chega do mar tarde, cansado, e visivelmente aborrecido.
Não tinha apanhado absolutamente nenhum peixe, a não ser um objecto em forma de planta rija com cores azuladas.
Nessa manhã, aquela aldeia recebia a visita de uns turistas que, como costumava ser hábito, passavam por lá naquele dia para a visitar.
Era um dia importante para o comércio, visto que a população triplicava em numero e os habitantes aguardavam sempre essa data, pois naturalmente conseguiam facturar mais alguns “trocados” do que aquilo que era habitual.
Logo nesse dia que tão mal tinha corrido para o Lewis na sua pescaria, pois a única coisa que tinha para colocar em cima da sua bancada era esse objecto que nem ele sabia muito bem aquilo que era, mas que dava forma a uma planta de cor azul marinho e muito rija.
Assim que Cristian, seu filho, acaba de colocar o “esquisito” objecto em cima da bancada para ser visto e apreciado, aproxima-se um senhor de fato fumando um enorme charuto com um grande sorriso no rosto e com os olhos a brilhar na direção da bancada de Lewis, e pergunta sem se apresentar:
- Quanto vale essa preciosidade?
- Exatamente aquilo que o senhor quiser pagar por ela. ( responde Lewis )
- Vá, diga lá! Eu negoceio com recifes de coral decorativos à mais de 40 anos e nunca vi uma joia dessa natureza, e ao mesmo tempo tão rara de se encontrar!
- Sabe senhor ( responde humildemente Lewis visivelmente envergonhado ), o nosso negócio é o peixe, e hoje infelizmente o dia não nos correu da melhor forma no que diz respeito á sua captura…. esses objectos que eu apanho, é apenas um serviço que presto aos meus clientes porque sei que muitos deles precisam daquilo que eu lhes trago. E sempre que alguém precisa de algo que se encontre encima da minha bancada, e que não seja peixe, eu fico bastante feliz porque sinto que servi mais um cliente com aquilo que ele precisava, por isso não coloco preço nesses artigos…. cada um paga o que quiser….
- Ok! Eu ofereço $ 150 000,00 por essa preciosidade. Sei que vale muito mais …. mas como lhe disse, este é o meu negócio e de certeza tenho já clientes interessados que pagariam uma fortuna por esse maravilhoso coral!
Lewis nem queria acreditar no que lhe acabara de acontecer.
Tinha acabado de receber uma pequena fortuna por um objecto que nem ele sabia muito bem aquilo que era.
A sua vida, naquela pequena aldeia, era pacata e anualmente os seus gastos nunca tinham superado os $ 1000,00 … agora tinha dinheiro para viver 150 anos !!
Moral da história…
Quando estás apenas concentrado em ganhares dinheiro para sobreviveres, apenas irás ganhar dinheiro para sobreviveres.
Quando começas a preocupar-te com o bem estar de outras pessoas, e ajudá-las com os seus objetivos de vida, vai chegar o dia em que nunca mais terás que te preocupar com dinheiro.
Queiras ou não entender este conceito, vão existir sempre pessoas que vão precisar do que tu tens para oferecer mesmo que nem tu saibas ainda que tens algo para oferecer !
Todos nós temos um potencial ilimitado. Quando entendemos o processo e a forma como funciona o universo, basta seguir fazendo o nosso trabalho o melhor que sabemos colocando sempre grande paixão em cada passo que damos e vai chegar o momento em que nos iremos surpreender com os resultados, fruto de uma acumulação de procedimentos.
Durante o processo vais ser, na maior parte dos casos incompreendido e por vezes por quem mais perto de ti está. Não desistas e continua a alimentar as tuas convicções. Nunca te esqueças que é a tua vida que está a ser construída e tu, melhor do que ninguém sabe como quer que seja feita essa construção.
Outras ilações poderão ser extraídas desta história, mas deixo ao teu critério para que a possas comentar e dar-me o teu feed back do que ela significou para ti.
Grande abraço e espero que tenhas tido tanto prazer em lê-la como eu tive em escrevê-la.
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