quinta-feira, 12 de setembro de 2013

PÂNICO NO BOING 737

Pânico no Boing 737



  




Boing 737… O som que se ouvia era muito parecido com o barulho que faz uma folha de papel se a colocarmos numa ventoinha em movimento mas muito mais ampliado!

E eu, sem saber muito bem aquilo que se estava a passar, chamei uma hospedeira de bordo e perguntei:

 

 

- Peço desculpa pela minha curiosidade, mas que barulho é este ?

- Deve ter sido alguma ave que entrou dentro de uma turbina, não se preocupe que logo logo vai passar. ( responde-me ela com um sorriso e muita tranquilidade … tipico da sua profissão )

Eu estava sentado no sítio da asa, mas afastado da janela, e de repente ouço um suspiro de pânico de algumas pessoas que estavam atentas a olharem pelas suas janelas. Quando faço o mesmo vejo uma enorme nuvem de fumo negro a sair de dentro de uma das turbinas….. Nesse instante sinto o avião começar a girar….

 

Eram 6.45 horas da manhã, e o Boing 737 tinha acabado de descolar do aeroporto de Heathrow em Londres.

A bordo estava William Filestein, prestigiado advogado, conferencista e especialista em comunicação que se preparava para viajar até Chicago. Sítio onde iria passar 3 dias em conferencias como convidado especial.

William, casado com Valerine, era pai de duas crianças incríveis. Catherine de 6 anos e o Thomas de 3.

A sua vida não lhe permitia grande dedicação ao ambiente familiar, necessidade essa que de vez em quando lhe apertava o coração. Mas o ritmo alucinante com que vivia o seu dia a dia, não lhe dava nem tempo de se sentar a uma mesa e desfrutar de uma tranquila refeição.

Os filhos viam-no 2 ou 3 vezes por mês, mas não estranhavam por sempre fora assim desde que nasceram. Sua mulher, dedicada 100% a cuidar do lar, garantia uma presença mais forte juntos dos filhos para compensar a ausência do pai.

Viviam num dos bairros mais luxuosos de Londres, e apesar das exorbitantes quantidades de dinheiro que seu marido lhe depositava na conta mensalmente para os gastos diários, Valerina e seus filhos viviam uma simples e pacata vida.

Dentro do Boing, William atravessava o pior momento da sua vida desde a sua existência…

 

- Senhores passageiros, agradecemos que apertem todos os vossos cintos de segurança, mantenham a calma e preparem-se para uma aterragem de emergência. Recordando as técnicas que foram explicadas no incio da descolagem.

Esta foi a confirmação de que realmente as coisas não estavam bem, e que uma das turbinas que impulsionava o avião tinha avariado.

Nesse momento, e por breves instantes pensei na minha morte… comecei a imaginar como seriam as noticias a relatar a queda do avião…. quais as causas que a imprensa daria como válidas para este acontecimento…. encontrariam a caixa negra?…..

Mas a minha maior dor não era essa, por incrível que pareça… nem estava preocupado em saber que a minha vida iria acabar dentro de poucos minutos,não ,não, não….

A minha maior dor era tudo aquilo que eu devia ter feito com a minha família e nunca tive tempo….

…devia ter passado mais tempo com a minha adorável mulher e ajudá-la nas tarefas domésticas e a cozinhar, irmos às compras, frequentar um SPA, oferecer-lhe flores, abraçá-la e beijá-la mais, devia ter-lhe dito mais vezes o quanto eu a amava…..

…devia ter brincado mais com os meus filhos, no parque, ir ao cinema, passear na praia ao fim de semana, dar voltas de bicicleta, a fazer desenhos para eles pintarem, aos abraços e aos beijos, e dizer-lhes o quanto eu os amava e eles eram importantes para mim……

…devia ter passado mais tempo com os meus pais, almoçarmos juntos, conversar, acarinhar, cuidar, e dizer-lhes o quanto eu os amava, e o grato que estava por eles me terem feito na pessoa que era hoje……

…. mas agora era tarde, e eu não tinha medo de partir…. apenas sentia dôr por tudo aquilo que não fiz….

Naquele momento senti que tinha seguido uma forma de vida errada…

- PREPAREM-SE PARA O CONTACTO! ( soava uma voz vida de dentro da cabine )

Coloquei as minhas mãos na nuca e juntei a cabeça aos meus joelhos e sinto como se o aparelho tivesse atingido uma superfície esponjosa….

Levantei a cabeça lentamente, olhei em meu redor e todos os outros passageiros continuavam em pânico na mesma posição em que eu estive…. tínhamos acabo de “amarar”!

Estávamos vivos!


Comecei a chorar e a agradecer a Deus por aquele momento, não pelo facto de estar vivo, mas sim pela aprendizagem que me tinha proporcionado durante aquela situação.


Tinha recebido a maior lição de vida que alguma vez alguém pode receber.


Graças a esse momento salvei a minha vida familiar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário